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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Post Secret

É próprio do ser humano guardar segredos e mais ainda querer saber o segredo do outro. Todo mundo tem aquele segredo que guarda somente para sí ou para poucas pessoas. Pode ser um fato engraçado, muito triste, criminoso, um desejo e até aquela mania que parece bobagem, mas é um pouco embaraçosa. Perpassando por essas ruelas do ser humano é que o artista Frank Warren desenvolve o projeto de mail art Post Secret.


O artista recebe postais em que pessoas de forma anônima revelam seus segredos mais íntimos. Todo domindo ele escolhe alguns e coloca no blog no projeto. O Post Secret iniciou em 2007 com apenas 10 postais feitos por artistas. Logo o proprio formato de blog do projeto suscitou muitos comentários e conseqüentemente a criação do fórum postsecretcommunity abrindo espaço para as outras pessoas colocarem seus segredos também. O resultado é uma viagem interessante pelo submundo secreto do indivíduo contemporâneo e muitas horas gastas na frente do PC as vezes dando risada, outras se espantando ou se emocionando com as confissões alheias.

Ps.: Obrigada a Ju Casal pela dica!





quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Google amanheceu artístico hoje.

Aniversário de Pollock. Estava precisando de um pouco de arte para começar bem meu dia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Moleskine Art

Acharam o moleskine de Van Gogh na Grécia! Perdido desde a 1ª grande guerra, o caderno de anotações do pintor contém rabiscos de grandes obras suas do período em que freqüentou a Royal Academy of Art de Bruxelas. Ainda não foi autenticado, mas tudo indica que é dele mesmo.


Você deve estar se perguntando o que é um Moleskine? Moleskine é uma famosa marca italiana de caderno de notas. Mas não é qualquer caderno de notas... Um professor de estética já havia comentado sobre eles e eu nem dei bola. Ele tinha um Moleskine e sempre falava dele com uma colega e eu ficava: "o que esses dois veem tanto nessa caderneta? Só porque o papel é de qualidade e ela abre 180º? Grandes coisas!".

Um belo dia numa das minhas ciberandanças pelo youtube me deparei com a arte feita em Moleskines. Aí entendi que o angulo de 180º é ótimo para realizar desenhos e conheci os usuários ilustres que deixaram seus pensamentos e sua arte registradas nesses caderninhos e deram uma aura especial a marca. Seus usuários mais famosos foram Vincent Van Gogh , Henri Matisse , Pablo Picasso, André Breton, Louis Férdinand Céline, Neil Gaiman, Jean Paul Sartre e Ernest Hemingway. Por conta disso o Moleskine não poderia deixar de ser referenciado no cinema em filmes como Le fabuleux destin d'amélie poulain, Indiana Jones and the Last Crusade, The Da Vinci Code, Magnólia e The Talented Mr. Ripley.

Até hoje o Moleskine é feito a mão, mas não mais na Itália. Mãos chinesas trabalham para a Moleskine, a modernidade chegou de alguma forma... Em 2007 a Moleskine vendeu 10 milhões de unidades. Mas para fazer anotações com estilo é preciso pagar um preço um pouco alto. Um Moleskine tradicional no Brasil custa entre 80 e 150 reais.

Interessante o desdobramento que um simples caderno de anotações podem ter. O Moleskine implacou como suporte de arte. Existem até versões com papéis especiais para aquarela. A arte em Moleskines pode ir tanto rabiscos de ultima página de caderno até obras de arte antiga. Os trabalhos mostram que não há limites para a imaginação.

No ano de 2006 iniciou a exposição itinerante "Detour", em Londres, exibindo 70 Moleskines de artistas, arquitetos, escritores, ilustradores e designers. Em 2007 a amostra foi para Nova York, em 2008 Paris e Berlin. Este ano pretende passar por Istambul e Tokyo. No site do projeto você encontra um arquivo de vídeos e na internet também pode-se ver vários filminhos interessantes. Eu separei meus preferidos. Divirtam-se, e se gostarem procurem mais no youtube!





sábado, 3 de janeiro de 2009

Lori Earley

Sabia que a vocalista do The Asteroids Galaxy Tour me lembrava alguma coisa! Desde meu primeiro Blog que eu acompanho o site da Lori Earley. Eu adoro retratos e auto-retratos mais ainda. Então depois de Cindy Sherman acho que a Lori é minha preferida.

Salvo o primeiro retrato todos os outros são óleo sobre tela. Uma técnica tão clássica representando imagens surrelistas, contemporâneas e tão características da artista. Lori parece se pintar como uma modelo anorexica, pescoçuda que de tão magra fica deformada e mesmo assim Bela. Ás vezes parece também uma imagem de Suicide Girl decadente. Não poderia ser mais atual.

O processo de composição da tela é interessante. Primeiro a artista tem a idéia, escolhe a modelo, a roupa, cria a ambientação e tira uma foto. A partir dessa foto ela desenha e depois colore com as tintas. Quando o assunto são as influências além de citar os mais óbvios como Ray Caesar e clássicos como John Singer Sargent, cita designers de moda como Jean Paul Gaultier, Jennifer Nicholson e Alexander MqQueen.






terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Para entrar o ano cantando...

THE ASTEROIDS GALAXY TOUR
Banda dinamarquesa que ficou conhecida por sua música propaganda do IPhone e por abrir shows da Amy Winehouse. A primeira coisa que me veio a cabeça quando vi o clip de The Sun Ain't Shining No More foi "Duffy", só que mais bonita e menos chata. Vale a pena ver os clips e esperar o CD sair.
Mas não queru falar de música. Como eu amo o genero de retrato o que mais gostei da banda foram as fotos do MySpace tiradas por Mette Sanggaard.






















sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

"Oferenda" - Exposição de Carolina Harari che ao MAB


A técnica é milenar mas a cada ano vem ganahando novos adeptos que buscam novas maneiras de interferencia com o material. Faz muito tempo não via uma combinação tão perfeita entre o regional e o contemporâneo. Tudo familiar e ao mesmo tempo fazendo parte de um mundo mágico onde o excesso de fragilidade traz admiração e receio.
O material é um só: o barro. Mas a artista captura elementos da cerâmica e do bordado congregando-as de uma maneira exemplar. As obras transitam entre um bordado abusando da goma, da solidez, petrificado, e uma "cerâmica textil", aparentemente maleável. Tudo é muito suave. As paredes dos jarros são tão finas que a artista não tem pudores em mostrar essa fragilidade, em expor as rachaduras. O processo de fabricação de uma peça de cerâmica é lento e extremamente delicado. Senti isso na pele nas aulas de cerâmica da Escola de Belas Artes. Com a experiência que eu passei acho que o choque com a espessura que a artista dá aos objetos é muito grande.
O uso das cores também é muito bem feito. Apenas a cor de barro e o branco, cor das rendas. Até a expografia segue essa linha, com os expositores também na tonalidade da argila. A amostra dialoga com quadros de Carybé e Pierre Verger, famosos por retratar o universo baiano, que pertencem ao acervo do Museu. Passa a impresão de que não podia ser de outra forma, não podia ser em outro lugar.


O trabalho de pesquisa da artista Carolina Harari é mais um exemplo de obra de arte resultado de pesquisa. Historiadora de formação com especialização em Arqueologia e Restauração Patrimonial, dedicou-se ao estudo da argila.
Fico feliz que os "artistas-artesões" do recôncavo estejam sendo homenageados, inspirando um trabalho serio e que isso esteja sendo tão bem apresentado. Fico pensando em D. Cadu, senhora que conheci em Coqueiros (30 km de São Felix), que ainda faz a queima em fogueiras. Nas cooperativas, em maragojipinho, nas rendeiras do São francisco. Uma das maneiras da arte ser utilitária socialmente é lembrando, valorizando, reedificando e as vezes construindo uma auto-estima que não existe ou que merece florecer mais ainda.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As Sete Áfricas


Depois de muito tempo de espera, enfim, parte da coleção de arte africana de Cláudio Masella é aberta ao público! Soma-se mais de mil as peças que foram doadas em 2004 pelo industrial italiano. 90 delas podem ser vistas no Solar do Ferrão, uma seleção cuidadosa e no mínimo surpreendente que movimenta o ambiente de boas exposições que Salvador vem desfrutando. A diversidade chama atenção. A amostra foi organizada em sete grupos de acordo as regiões, países e etnias. Estão representados: povos do Golfo do Benim, República dos Camarões, Akan de Gana, Costa do Marfim e Libéria, Savana e Sahel, Guiné e Guiné-Bissau e povos do centro sul da África.

A exposição As Sete áfricas me remete a Nina Rodrigues, uma controversa figura da transição do século XIX para o XX. O médico, que sustentava teorias evolucionistas, racialistas, foi pioneiro no estudo das manifestações artísticas dos escravos, o que faz de sua obra importante documento quando se quer entender essa mudança de visão perante a obra de arte de origem africana. Há de se reconhecer que o racismo do autor não anula sua contribuição e pioneirismo para os estudos do negro e da arte. Não foi fácil se dedicar a este assunto tendo ele, contraditoriamente, sofrido descriminação por este interesse, que estava distante das preocupações dos outros médicos.


O fato é que o olhar sobre a arte africana mudou muito. Já teve seu momento de nem figurar dentro da história da arte oficial e quando o fez foi de forma preconceituosa colocada dentro de arte primitiva, considerada uma arte infantilizada que seguindo a teoria evolucionista necessitaria avançar em direção a as artes tradicionais ocidentais. Até hoje alguns museus colocam Egito separada da África e esta como se não tivesse se modificado através dos anos e fosse um continente homogêneo. Essa visão, fruto de uma percepção eurocêntrica, retardou o estudo sistemático da arte africana. Reconhecemos a arte antiga africana como fruto de seu contexto, porém não analisando apenas do porto de vista etnológico como por muito tempo foi feito, ampliam-se as abordagens incluindo a do ponto de vista estético.


Torna-se interessante lembrar a visão que Nina Rodrigues tinha de objetos da arte tradicional afro-brasileira e perceber que essa estética, renegada pelos europeus naquela época, apesar de todas as retaliações sofridas, durante outros momentos também, é hoje utilizada pelos africanos e reconhecida como uma arte de alto nível. Na Bahia esta coleção faz o contraponto com obras de artistas locais como Ruben Valentin, Mestre Didi, Agnaldo Manuel dos Santos e tantos outros artistas que também têm na matriz africana sua inspiração. Imagino que as peças doadas por Claudio Masella se sintam em casa.


Com satisfação vemos Salvador, que já contava com a Casa de Benin e com o Museu de Afro Brasileiro da Universidade Federal da Bahia, ganhar agora outro importante espaço de reflexão artística, étnica e cultural que aproxima a cultura baiana de uma de suas culturas ancestrais.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

28ª Bienal de São Paulo



O Bienal de São Paulo que acontece até 6 de dezembro, gerou muita polêmica por ter um número reduzido de artistas em exposição. Comparado a 27ª bienal que divulgou 119 artistas essa se compôs apenas de 41, ficando conhecida como "a Bienal do vazio". O segundo andar está totalmente sem obras, ou melhor, apenas com a obra de Niemeyer. Em outro andar a aparência é de um grande playground que culmida em um tobogã colocado para se sair do edifício. Cultura e consumo entrem em embate. A curadoria resolveu aproveitar o momento de crise financeira para fazer propor uma abordagem conceitual criticando a própria Bienal.

O conceito da Bienal também está em crise. Quanto a isto não há dúvidas. Conversando com um artista amigo meu ele se referiu a idéia como uma faca de dois gumes. De um lado é bom um momento de reflexão sobre o formato da bienal, sobre seu modo de seleção e sobre a verba destinada (esse ano de somente 8 milhões, 40% menos que no ano passado). Do outro é inegável que a bienal é um espaço importantíssimo para divulgação dos artistas a nível internacional.

Eu respondi a ele que comprei a idéia da curadoria porque na atual situação em que as instituições de exposição de arte se encontram, uma faca de dois gumes é melhor do que a de uma só. Achei uma maneira criativa de enfrentar a crise, porque sem dinheiro de outra forma não poderia ser. Não acredito que a “Bienal do vazio” acaba sendo uma obra do curador Ivo mesquita e que ele seria um iconoclasta, como alguns andam falando. É uma questão conjuntural, fruto de uma gestão criativa que levou de alguma maneira à reflexão, ou seja (honestamente, materialisticamente, até marxisticamente), um problema de verba que levou a se pensar o todo. Se a idéia foi bem executada eu não sei porque infelizmente não fui a São Paulo conferir o evento, mas desfruto das discussões sobre sua polêmica e isso é um bem inegável que ecoa pelo país.
Sabe-se que o vazio na arte nunca é tão vazio assim. A ausência é tema da arte já faz algum tempo. O vazio tem muito de contestação ou de histórico e pouco de saudosista e está cheio de feridas que precisam ser cuidadas (curadas seria muita utopia).

Aqui mesmo em Salvador temos também um Museu do Vazio, pouco comentado, que espera a quase dois anos o acervo do escultor francês Rodin que nunca chega. Não que o vazio de lá me incomode, porque deixa descoberta a arquitetura da casa, as pinturas de Sercelli e o piso de parquê. Mas é outra instituição que está vazia não porque quer, mas por uma conjuntura que não favorece que os eventos aconteçam.

É tempo de repensar as políticas culturais. Alias, sempre vivemos passando desse tempo, na esperança que ele chegue.